RECESSÃO DIMINUI DEVASTAÇÃO AMBIENTAL NA AMAZÔNIA

A recessão econômica, aliada às restrições de incentivos fiscais à agropecuária, vem freando a devastação ambiental da Amazônia a partir de 1980, concluem os técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos números que revelam uma significativa redução do ritmo de incorporação de terra na região. Apurados durante a elaboração do Diagnóstico Ambiental da Amazônia-- primeira etapa do Zoneamento Ecológico-Econômico, entregue à Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) em junho--, os dados mostram que de 1970 a 1975 a extensão de terras incorporadas (áreas devolutas que se tornaram estabelecimento rural) cresceu 35%. Entre 1975 e 1980, o ritmo caiu para 34%, chegando a 11% no quinquênio 1980/1985. O IBGE apurou também que, em 1985, na última vez em que foi feito levantamento específico sobre o tema, os estabelecimentos rurais representavam 23% da área total da Amazônia Legal, enquanto em 1970 ocupavam 11% da região. Essas são algumas das principais informações sócio-econômicas que os técnicos do IBGE estão levando em consideração na elaboração do relatório Subsídios às Estratégias de Desenvolvimento da Região Amazônica, que deverá ser concluído até o fim do ano, reunindo o resultado de uma análise crítica dos 16 principais projetos e programas ambientais do governo federal na região, com a intenção de compatibilizá-los às diretrizes de Diagnóstico Ambiental. Precisamos fornecer subsídios que permitam avaliar o impacto e as reais
76209 contribuições desses planos ambientais, que já têm em seu conjunto
76209 US$489 milhões de financiamento a juros de mercado aprovados pelos
76209 principais agentes financeiros internacionais, justifica Antônia Maria Martins Ferreira, uma das coordenadoras do relatório do IBGE, citando como exemplo o Plano 2015, da ELETROBRÁS; o Plano de Desenvolvimento da Amazônia, da SUDAM; o Programa Piloto de Florestas Tropicais e o Sistema de Vigilância da Amazônia. O Diagnóstico Ambiental dividiu a Amazônia Legal em 134 sistemas ambientais, sem contar com as áreas indígenas, avaliando que 40% da região encontra-se em situação ambiental crítica ou muito crítica, conforme os critérios de classificação definidos pelos técnicos. O estudo avaliou não o nível de devastação isoladamente mas "a sustentabilidade ambiental, econômica e social de seu processo de ocupação e desenvolvimento" (GM).