BRASIL PODE NEGOCIAR COM A FAMÍLIA DART

O governo brasileiro está disposto a negociar uma solução para resolver o impasse causado pela família Dart, de Michigan, nos EUA, que não quer transformar o crédito de US$1,4 bilhão que tem contra o Brasil em bônus de desconto ("discount bonds"). O negociador da dívida externa, André Lara Resende, impõe no entanto uma condição: "Qualquer proposta da família terá de ser integralmente aceita pelo comitê de bancos credores". A família Dart divulgou ontem uma nota dizendo que o Brasil rejeitou sua participação no plano de refinanciamento da dívida externa. Mas, na verdade, foi o comitê assessor de bancos credores que não aceitou a posição da família em relação ao cardápio de opções de troca da dívida por novos títulos, receando que outros credores também exigissem um tratamento especial. Ao Brasil não interessa que a família fique de fora do acordo porque, assim, os Dart passariam a deter mais de 90% dos créditos do MYDFA, títulos da dívida externa brasileira negociada no mercado secundário dos EUA, e teriam poder para acionar o país por default, exigindo o pagamento antecipado (GM).