Os últimos restos mortais das vítimas de Haximu, aldeia na Venezuela devastada a bala por garimpeiros, estão desaparecendo numa cerimônia de cremação que os índios sobreviventes começaram a realizar ontem para celebrar os seus parentes mortos. A informação foi revelada pelo pesquisador Carlos Zacquini, da Comissão Pró-Demarcação da Área Yanomani, que está na área acompanhando a construção das novas malocas dos sobreviventes entre as aldeias Tototoobi e Makos, norte do Amazonas, na divisa com Roraima. Os índios começaram ainda na semana passada a cremar os ossos das vítimas de Haximu, guardados até então em cabeças de cipó. Desde ontem, as cinzas estão sendo misturadas a um mingau de banana. Os yanomamis comem o mingau durante a festa, acreditando que a inteligência de seus parentes mortos está sendo absorvida pela tribo. O chefe da missão venezuelana que esteve no Brasil para investigar o assassinato dos yanomamis, contra-almirante da reserva José Velazco Collazos, anunciou ontem o esclarecimento total do episódio. Segundo seu relato, em junho passado ocorreram dois massacres na Amazônia venezuelana, com 16 mortos no total. De acordo com Collazos, dos 85 índios pertencentes à aldeia Haximu, quatro morreram massacrados no garimpo de Taboca e outros 12 foram assassinados no acampamento provisório de Tapiris, ao norte de Haximu. O militar venezuelano acrescentou que foram identificados 18 garimpeiros ilegais responsáveis diretamente pela matança e cinco responsáveis indiretos, que forneceram armamento e munições, dos quais dois estão detidos no Brasil e 21 outros com pedido de prisão já decretada (JB).