SEM-TERRA OCUPAM FAZENDAS EM SÃO PAULO

O caseiro Maurício Ferreira e sua mulher Adélia não tiveram tempo de reagir: na madrugada do último dia nove, pouco depois das cinco horas, um grupo de homens do Movimento dos Sem-Terra, armados de revólveres e espingardas, arrombaram a porta de sua casa e anunciaram: a partir daquele momento, em nome da reforma agrária, estavam ocupando a propriedade. Eles eram os líderes de um movimento que envolveu quase duas mil pessoas, de 23 municípios da região da Média Noroeste, o maior já realizada no Estado de São Paulo. Pouco depois, os arames da cerca de divisa foram cortados com alicates e um comboio de 800 veículos, entre automóveis, camionetas, ônibus e caminhões, transportando homens, mulheres, crianças e suas mudanças, entrou sem problemas e espalhou-se pela pastagem. Os primeiros barracos, de lona plástica, também foram instalados rapidamente. De nada adiantou Maurício tentar explicar que aquela era a fazenda Ribeirão dos Bugres, de 200 alqueires, pertencente a Antônio Ribas e não a Fazenda Jangada, de 2.360 alqueires, do espólio José Ferreira Ribas. Afirmando que nunca haviam ocupado terras por engano, do alto de um carro de som o líder Miguel Serpa oficializou: "Estamos assumindo a Fazenda Jangada, com seis mil alqueires de terras, um latifúndio improdutivo pertencente à família Ribas, que possui na região mais de 35 mil alqueires, conquistados às custas do suor e do sangue dos trabalhadores". Na verdade, por situarem-se no Município de Getulina e serem limítrofes, as duas fazendas foram ocupadas. A Polícia Militar acompanhou à distância a ocupação (O ESP).