ONG DEFENDE A "MODERNIZAÇÃO" DA FLORESTA

A saída para a Amazônia é a modernização da floresta. Isto não significa substituir as árvores por shopping centers, mas viabilizar as atividades tradicionais dos povos da floresta, marginalizados pelo modelo de desenvolvimento da região. A tese é do Instituto de Estudos Amazônicos e Ambientais (IEA), uma Organização Não-Governamental (OGN) que elaborou junto aos seringueiros o conceito de Reserva Extrativista, modelo de proteção econômica e ambiental que já cobre dois milhões de hectares na Amazônia. Há um grande abismo no Brasil entre a riqueza do patrimônio natural e a
76157 miséria social. Entendemos que a chave deste problema é a democratização
76157 do acesso ao capital natural, avalia a antropóloga Mary Allegretti, presidente do conselho diretor e fundadora do IEA. Há duas semanas, o IEA realizou no Amapá um "Laboratório Ambiental", reunindo jornalistas, técnicos e ambientalistas para conhecer e discutir alternativas de desenvolvimento para a Amazônia. A tese de modernização da floresta foi sustentada com a apresentação de vários projetos (principalmente extrativistas), sempre apontando para o incremento da produtividade e a viabilização da comercialização dos produtos nativos. Uma das iniciativas mais ousadas do IEA para a integração do extrativismo ao mercado é a experiência do produto "Chonk", produzido pela empresa Nutrimental. Lançado inicialmente no Paraná, o "Chonk" é uma barra energética natural que utiliza castanha produzida pela cooperativa extrativista de Xapuri (AC). A empresa compra parte da produção da cooperativa e retorna 2,5% da receita das vendas para os seringueiros (JB).