Os raros índios que ainda sobrevivem em aldeias no Estado do Rio de Janeiro vão aprender a tratar de problemas de saúde e a administrar distritos sanitários que se formarão em suas tribos. Essas propostas foram apresentadas na 1a. Conferência Estadual de Saúde para os Povos Indígenas, semana passada, no Rio de Janeiro (capital). Onze representantes das duas únicas tribos do estado-- a Sapukai, no Município de Angra dos Reis, e a Araponga, em Parati--, ambas de guaranis, aprovaram as duas idéias. O Rio de Janeiro é o estado com menor índice de população indígena-- só perde para o Piauí, que não tem índios. As aldeias de Angra dos Reis e Parati enfrentam sérios problemas de subsistência, com terras insuficientes e inadequadas à agricultura. São cerca de 700 hectares de terra montanhosa, em Angra, para cerca de 200 índios, e 60 hectares, em Parati, onde vivem pouco mais de 50. Eles sobrevivem do escasso alimento que plantam e do pouco artesanato que vendem. Apesar de os índios fluminenses já estarem imunes à maior parte das doenças dos brancos, as condições precárias em que vivem causam problemas de nutrição, deixando a saúde vulnerável. Para tentar resolver estes problemas, os índios votaram propostas em regime paritário (metade dos votos foi legada aos índios e a outra metade a representantes do governo) e outras apresentadas pela FUNAI, FIOCRUZ, prefeitura de Angra e CIMI (Conselho Indigenista Missionário). Os principais temas discutidos foram a adoção da autogestão na saúde indígena e a criação de distritos sanitários especiais nas aldeias. "Na autogestão, cada tribo desenvolveria recursos para cuidar de sua saúde e os índios seriam treinados pelos profissionais de saúde do governo para prestarem os primeiros socorros", explicou o coordenador do Núcleo de Estudos em Saúde de Populações Indígenas da FIOCRUZ, Ulisses Confalonieri. Ele explicou que os distritos sanitários criados nas tribos evitariam que a saúde indígena ficasse nas mãos dos hospitais municipais. "A administração federal livraria os índios de retaliações do poder local, geralmente interessado em tomar conta do território indígena (JB).