PROTESTANTES INAUGURAM CINCO IGREJAS POR SEMANA

Uma explosão evangélica atingiu principalmente as áreas mais carentes do Estado do Rio de Janeiro nos últimos três anos. Somente de 1990 a 1992, 710 novos templos foram abertos, sendo a grande maioria (88,73%) do ramo pentecostal (desdobramento das igrejas protestantes ou históricas, que surgiram a partir da cisão com a Igreja Católica no século XVI). Esses números mostram que neste triênio foi criada uma nova igreja evangélica a cada dia útil ou cinco templos por semana. Neste mesmo período foi registrado o surgimento de uma única paróquia católica no Rio. O Censo Institucional Evangélico (CIN) de 1992, elaborado pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER), mostra que as outras religiões nem chegaram perto do crescimento dos evangélicos no estado. As religiões espíritas (englobando kardecistas e os umbandistas) inauguraram 204 novos centros em três anos (1,8 por semana). Somando a média de crescimento de todas as outras religiões (católicos, orientais etc.), o resultado foi de 0,6 templo por semana. O crescimento das igrejas evangélicas pode ser explicado, em parte, pela
76149 sua forma de organização. Para ser um pastor, por exemplo, não é preciso
76149 estudar anos e anos. Para criar uma nova igreja não é necessário
76149 construir um prédio imponente. Não há favela do Rio onde não haja uma
76149 templo da Assembléia de Deus, explica a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), fiel da Igreja Assembléia de Deus do Leblon. Para garantir seu crescimento e a criação de cinco templos por semana no Rio, as igrejas evangélicas adotaram uma tática de conivência com os traficantes nas favelas. Na chacina de Vigário Geral, uma família de crentes foi morta porque escondia traficantes em casa; na favela do Coroado, em Acari, o "bunker" do tráfico ficava sobre um templo evangélico. A pregação contra as drogas é cautelosa. O pastor Odalírio Luís da Costa, que atua em 10 favelas, admite já ter alimentado traficantes. O presidente da Associação Evangélica Brasileira, Caio Fábio, aconselha os pastores a evitarem qualquer confronto com o tráfico e a manterem distância da polícia, "que é a quadrilha oficial" (O Globo).