Um total de 4.529 menores, entre meninos e meninas, vivem pelas ruas de São Paulo (capital) durante o dia. A` noite, eles são 895, sendo que 314 dormem ao relento. São crianças e adolescentes para quem a rua constitui fonte de geração de renda e contexto de socialização. Os números foram divulgados ontem pela Secretaria Estadual da Criança, Família e Bem-Estar Social. A contagem foi realizada na madrugada do dia 1o. deste mês e no último dia sete à tarde. Baseada na metodologia do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), a pesquisa foi acompanhada por várias entidades, como a CUT, CGT, universidades e Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua. Esta é a primeira vez que uma pesquisa contabiliza menores em situação de rua em São Paulo. Foram classificados como em situação de rua toda criança e adolescente trabalhando (como vendedor ambulante, catador de papel, guardador de carro, carregador de feira, entre outros), perambulando ou brincando nas ruas. O total de menores do sexo masculino em situação de rua é 4,5 vezes maior que o de crianças e adolescentes do sexo feminino. Durante o dia, a Secretaria contabilizou 3.647 meninos e 794 meninas (79 não foram identificados). A` noite, o total foi de 625 meninos, 162 meninas e 108 não identificados. Conhecida pela alta incidência de assaltos, a Praça da Sé abriga uma população fixa de 80 meninos de rua. Um dos elementos que mais chamaram a atenção na pesquisa foi o grande número de menores que trabalham nas ruas-- 1.628 durante o dia, além de 48 entregando folhetos publicitários, e 138 à noite. Uma quantidade expressiva de meninos e meninas-- 242 durante o dia e 92 à noite-- foram encontrados trabalhando na CEAGESP, companhia de entrepostos agrícolas. A CEAGESP também foi o ponto onde foi encontrado o maior número de menores (436) durante o dia. Após a apresentação da pesquisa, a secretária Rosmary Correa anunciou um plano de emergência para atender menores em situação de rua. "O primeiro passo será a instalação de unidades para abrigar os menores nos pontos onde não existem equipamentos da secretaria", explicou. "Através deles levantaremos o perfil desses menores, para saber o motivo que os levou para a rua, e então, discutiremos o que precisa ser feito e quais as estratégias para solucionar o problema". A pesquisadora Fúlvia Rosemberg, consultora do trabalho, acrescentou que não cabe mais falar em menores de rua-- que leva as pessoas a imaginarem o menor marginal-- mas em meninos "em situação de rua". "Nem sempre eles são de famílias pobres", disse. Para ela, são falsos os números divulgados por entidades internacionais, como o UNICEF e a Anistia Internacional. "No começo dos anos 80 eles disseram que só no Brasil havia 20 milhões de crianças abandonadas nas ruas. Isso estigmatizou a pobreza. As pesquisas estão mostrando que a realidade é diferente", comentou (O ESP) (O Globo) (JB).