A FUNAI (Fundação Nacional do Índio acusou ontem três madeireiros de terem assassinado no último dia três o índio José Kanamari, de 20 anos, da tribo dos kanamari. Os madeireiros estariam retirando madeira de forma irregular na reserva indígena Vale do Javari, na fronteira do Brasil com o Peru, informou ontem o administrador da FUNAI em Atalaia do Norte (AM), Elimilton Alencar. Os madeireiros acusados, Leotero Acreano, Antonio Brabo e José Hugo, estão foragidos, segundo a FUNAI. Alencar afirmou que dois policiais de Atalaia do Norte e cinco funcionários da FUNAI foram para a reserva indígena na tentativa de prender os madeireiros. O administrador da FUNAI no Mato Grosso do Sul, o secretário de Justiça do estado e representantes do Conselho do Índio se encontram hoje com os 140 índios kadiwéus que ocupam há uma semana a fazenda Baia dos Carneiros, em Porto Murtinho (a 600 km de Campo Grande). Segundo o técnico da FUNAI Geral Duarte Ferreira, os índios pedem a saída dos fazendeiros Mário Peron e Edson Nogueira, que estariam explorando ilegalmente a área desde 1981. O Estado determinou que a fazenda pertencia à reserva dos índios. Os fazendeiros entraram na Justiça tentando reverter a decisão, mas ainda não há resultado. Em resposta ao ofício em que o procurador-geral da República, Aristides Junqueira, lhe pediu explicações sobre o não-cumprimento do prazo constitucional de cinco de outubro último para demarcação de todas as terras indígenas, o presidente Itamar Franco informou ontem que não existe, sobre o assunto, nenhum processo na Presidência da República. Horas antes de Junqueira enviar o ofício, assessores do Ministério da Justiça haviam dito que o Palácio do Planalto tinha homologado apenas 16 das 35 portarias demarcatórias enviadas pelo ministro Maurício Corrêa. Todos os processos para demarcação de reservas indígenas foram
76118 despachados, assegurou Itamar, por intermédio do secretário de Imprensa da Presidência, Franciso Baker (FSP) (JB).