VERBAS SECRETAS PAGARAM ATÉ PIPOCA NO GOVERNO COLLOR

Verbas secretas foram empregadas pela Presidência da República durante o governo Fernando Collor de Mello para pagar hospedagens da primeira-dama Rosane Collor, aluguel de um vestido, serviços de massagem prestados no Palácio do Planalto e até mesmo ingressos de cinema e sacos de pipoca. O advogado Cláudio Vieira, então secretário particular de Collor, sacou pouco mais de US$57 mil de verbas secretas e só prestou contas de cerca de US$6 mil. O uso de tais verbas entre março de 1990 e outubro de 1992 foi feito de maneira claramente irregular e serviu "para acobertar despesas sem amparo legal e sem a respectiva documentação comprobatória", concluiu uma auditoria sigilosa realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a pedido do senador Pedro Simon (PMDB-RS), líder do governo Itamar Franco no Senado. No documento não consta o valor total das verbas secretas geridas e gastas pela Diretoria Geral de Administração da Presidência da República. O relatório do TCU oferece números relativos a determinadas despesas. E cita serviços contratados e objetos adquiridos sem revelar, muitas vezes, o preço pago por eles. A hospedagem de Rosane Collor e comitiva em outubro de 1990 no Caesar Park Hotel, no Rio de Janeiro (RJ), por exemplo, custou o equivalente a US$4.905. O ex-presidente Fernando Collor será chamado a depor em mais um inquérito na Polícia Federal. Desta vez a investigação apura se houve evasão de divisas na viagem que Collor e amigos fizeram pelas ilhas Seichelles, no oceano Índico, e pela Europa, logo após a eleição presidencial de 1989. A viagem foi feita em um avião fretado a um custo estimado em mais de US$300 mil (cerca de CR$41,4 milhões (O Globo).