EX-SÓCIO DE VICE-GOVERNADOR É INVESTIGADO

A Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro começou a apurar o envolvimento do advogado Luís Eduardo Frias de Oliveira, ex-sócio e ex- chefe de gabinete do vice-governador e secretário de Justiça e Polícia Civil, Nilo Batista, com a rede denunciada pelo ex-sargento da Polícia Militar Ivan Custódio de Lima, testemunha-chave da chacina de Vigário Geral. O chefe da Coordenadoria de Defesa da Cidadania, Elso Vaz, disse que a Procuradoria tem "provas documentais" da ligação entre Frias de Oliveira e o inspetor de polícia Nélio Machado, que teria participado da extorsão ao traficante colombiano Pablo Escobar. O delegado Élson Campelo, homem de confiança de Batista, também é acusado. Ao mesmo tempo, o deputado estadual Alcides Fonseca (PPR) entrou com notícia-crime contra Batista na Procuradoria de Justiça, por causa de declarações do ex-corregedor de polícia Luís Gonzaga Lima da Costa de que o vice-governador sabia das extorsões, "mas nunca tomou providências". Para o deputado, Batista não apurou a suposta extorsão para "proteger Campelo e Machado". Para Nilo Batista, essas denúncias "fazem parte de um modelo de desestabilização do governo do estado". Ele admitiu, porém, a possibilidade de ligação entre seu ex-sócio com Nélio Machado. "A sociedade pode existir, mas é preciso lembrar que 80% da força policial tem mais de um emprego", disse, referindo-se à sociedade entre Oliveira e Machado na JF Assessoria e Planejamento. A polícia do Rio pediu ontem à Drugs Enforcement American (DEA)-- organização dos EUA de combate à drogas-- informações sobre a passagem de Pablo Escobar pelo estado e a extorsão de US$10 milhões que ele teria sofrido de policiais cariocas, liderados, segundo denúncia, pelo delegado Élson Campelo, que integrava a cúpula da Polícia Civil. Os policiais querem saber onde Escobar teria ficado. Eles não têm certeza de que o traficante hospedou-se no Condomínio Praia do Peró, em Cabo Frio (RJ). Novas investigações serão feitas, desta vez em Angra dos Reis (RJ). Os acusados da chacina de Vigário Geral voltaram a negar ontem envolvimento, diante da juíza Maria Lúcia Capiberibe (O ESP).