ESPECIALISTA DIZ QUE PESQUISA SOBRE AIDS OBTÉM PROGRESSOS

Os resultados conseguidos pela biologia molecular, engenharia genética e virologia no combate à AIDS são entusiasmantes, segundo o médico e pesquisador brasileiro Walter Almeida, clínico geral que trabalha com a doença desde 1983. Ele acredita que no futuro a AIDS possa vir a ser uma alteração de saúde controlável, como a diabetes. "A vida da pessoa com AIDS poderá ter bastante qualidade", prevê. Ao contrário das previsões pessimistas que frequentemente são feitas em relação à evolução da doença, o pesquisador diz que os pacientes já podem contar com um grande avanço na profilaxia das infecções oportunistas. Para Walter Almeida, a grande esperança está na utilização de diversas drogas que atuem em etapas diferentes do ciclo vital do HIV. O vírus que escapar de uma droga acabaria sendo atingido por outra. O médico acredita que resultados concretos nesse sentido sejam alcançados antes do ano 2000. Essa terapia já vem sendo testada em pessoas infectadas pelo HIV, mas ainda está em fase de estudos. Outro campo de pesquisas é a procura por uma vacina contra o HIV. Uma vacina já obteve sucesso em macacos, criando nos animais uma infecção crônica, sem que nunca desenvolvessem a doença. "Esse estudo leva a crer que, em pouco tempo, possa surgir uma vacina para a AIDS humana", calcula Walter Almeida. Nos países desenvolvidos, que já aplicaram em pesquisa, prevenção e tratamento de AIDS US$1,6 bilhão, houve uma grande diminuição no número de novas infecções. O número de casos de AIDS entre homossexuais masculinos diminuiu muito. Atualmente, grande dificuldade nesses países é conter o avanço da doença entre usuários de drogas injetáveis. Em países que tem um histórico descaso para questões sociais, onde a
76078 assistência médica, prevenção e educação não são prioridades a
76078 epidemia só tende a crescer, diz Walter. É o que vem acontecendo no Terceiro Mundo, que só aplicou US$50 milhões em pesquisa, prevenção e tratamento da AIDS. Walter Almeida destaca que as campanhas de mobilização, como as que acontecem no Brasil são importantes, mas não existe de fato um programa continuado de pesquisa, prevenção e tratamento da AIDS no país. "No Brasil, as pessoas morrem de pneumonia, diarréia e fraqueza, sem saberem que são aidéticas", diz Almeida (JB).