VATICANO DIVULGA ENCÍCLICA SOBRE MORALIDADE

O Vaticano divulgou ontem a encíclica "Veritatis Splendor" (Esplendor da Verdade), dirigida a todos os bispos da Igreja Católica e que trata de alguns pontos fundamentais da doutrina moral. O documento tem 176 páginas e ressalta que o rico patrimônio de reflexões morais deve enfrentar em nossos dias o desafio de uma nova situação criada no interior da sociedade e da própria comunidade cristã. No documento, João Paulo 2o. advertiu os bispos para a "decadência do sentido moral" na sociedade e suas consequências sobre a democracia. Uma democracia sem valores se transforma com facilidade em um
76072 totalitarismo visível ou encoberto, escreveu o papa. A encíclica, a 10a. em 15 anos de pontificado, foi preparada ao longo de seis anos e rechaça algumas correntes da teologia moderna que negam a doutrina tradicional sobre a "lei natural, a universalidade e validade permanente de seus preceitos", adverte contra os erros doutrinários e reafirma que só na verdade a liberdade tem um caráter "humano e responsável". No documento, o papa pediu aos bispos "vigilância pastoral" da moral e enfatizou que "a firmeza da Igreja em defender as normas morais universais e imutáveis não tem nada de humilhante". Lembrando os documentos do Concílio Vaticano II, João Paulo 2o. reiterou que existem atos que, independentemente das circunstâncias, são "sempre gravemente ilícitos" do ponto de vista moral. Entre esses, o papa citou homicídios, genocídios, o aborto, a eutanásia, suicídio, torturas e mutilações, escravidão, prostituição, condições subumanas, detenções arbitrárias, deportações, tráfico de escravas brancas, "as condições ignominiosas de trabalho em que os operários são tratados como meros instrumentos de lucro e não como pessoas livres e responsáveis". O texto reafirma veto ao controle da natalidade e condena homossexualismo, sexo pré-marital, além do aborto. Ao apresentar a encíclica, o cardeal alemão Joseph Ratzinger afirmou que a queda do nível moral da sociedade representa uma questão de "vida ou morte para a Humanidade". Ele denunciou a escalada de violência que "para alguns, ou para grupos inteiros, aparece como único modo de melhorar o mundo" (O ESP) (FSP).