Apesar do fim da recessão, o número de pobres nos EUA aumentou 1,2 milhão, passando para 36,9 milhões, um aumento três vezes mais rápido que o crescimento populacional. Os dados foram divulgados pelo Censo e desde 1962 não era registrado um número tão grande de pobres. Em 62, obviamente, a população norte-americana era menor e os pobres contribuíam proprorcionalmente com 21%, contra 14,5% no ano passado. Segundo o Censo, o número de pobres cresceu 3,3% em 1992, enquanto a população aumentou apenas 1,1%. Para funcionários do Censo e economistas, o aumento do número de pobres reflete uma situação prolongada de desemprego e uma lenta recuperação da última recessão, entre julho de 1990 e março de 1991. O índice de pobreza em 1992 foi de 0,3% mais alto que em 91 e foi também o maior desde os 15,2% registrados em 1983. O Censo também revelou que mais de dois milhões de norte-americanos não têm seguro de saúde, o que eleva para 37,4 milhões as pessoas nessa condição no país. Os novos dados sobre pobreza refletem tendências já evidentes em outras estatísticas. O desemprego no ano passado foi de 7,4% em média (em 1991 ficou em 6,7%). O número de pessoas que recebem ajuda para alimentação subiu de 24,9 milhões em dezembro de 91 para 26,6 milhões em dezembro de 92. Hoje, 14 milhões de norte-americanos recebem salário-desemprego do governo (em 91, eram 13,4 milhões). Na classificação do Censo, foi considerada pobre toda família composta por quatro pessoas e que ganhe menos de US$14.335 anuais. Nessa classificação, são incluídas famílias de três pessoas com ganhos inferiores a US$11.186. Os estados com maior número de pobres são Mississippi, Louisiana, West Virginia e Novo México. Os mais baixos índices de pobreza estão em Delaware, New Hampshire, Utah, Connecticut e Virginia. O Censo revelou um ligeiro aumento da pobreza entre crianças e jovens. Vinte e cinco por cento dos menores de seis anos e 21,9% dos menores de 18 anos foram considerados pobres em 1992. Quase metade das crianças negras com menos de 18 anos se encaixam nessa classificação. Segundo o diretor do Fundo de Defesa da Criança, Clifford Johnson, os novos dados mostram que as crianças estão, mais do que nunca, expostas à extrema pobreza (O ESP).