O Itamaraty quer que os casais italianos que adotarem crianças brasileiras seja obrigados a registrá-las nas representações diplomáticas do Brasil na Itália. A chamada matrícula consular, que permitirá ao Brasil acompanhar as crianças adotadas, começou a ser negociada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, com o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Beniamino Andreatta, na semana passada, durante a Assembléia Geral da ONU, em Nova Iorque (EUA). A medida visa a evitar que as crianças possam ser vítimas do suposto tráfico de órgãos para transplante, e começou a ser pensada a partir da denúncia do deputado francês Leon Schwarzemberg, apresentada no mês passado ao Parlamento Europeu. O ex-ministro da Saúde da França disse que de quatro mil crianças brasileiras adotadas por italianos entre 1988 e 1992 apenas mil estariam vivas. Primeiro, o Congresso brasileiro tem que aprovar esse dispositivo, que
76070 significa uma mudança profunda na filosofia de que o Estado não deve
76070 intervir no destino da criança adotada, até para evitar que ela sofra
76070 traumas. Em seguida, é preciso que a Itália esteja de acordo. O ministro
76070 Andreatta está aberto à implantação de um mecanismo de monitoramento das
76070 crianças brasileiras adotadas, disse Amorim, ontem, em depoimento à CPI da Prostituição e Exploração Infantil (O Globo).