O ministro do Exército, Zenildo Zoroastro de Lucena, reafirmou ontem, em Roraima, a importância da presença militar na Amazônia. O Exército pretende transferir parte de suas tropas para a região, criando núcleos militares a médio e longo prazos. A primeira ação nesse sentido foi a instalação da Unidade de Aviação de Manaus (AM), que cuidará da segurança das fronteiras. Ontem foi o segundo dia da operação Surumu, de treinamento de cinco mil homens na Amazônia. Os centros militares que surgirão nos próximos anos em território amazônico fazem parte do programa de ocupação estabelecido pelo Exército, e do antigo projeto Calha Norte. Os grupos serão deslocados de várias regiões do país, formando, assim, uma estrutura intermediária, que afasta em parte a ingerência direta do alto-comando nas decisões e ações locais. Isto deverá acelerar a fiscalização dos limites do Brasil e a intervenção nas zonas de conflito. Generais ligados à cúpula do Exército disseram que, apesar da inexistência de problemas de fronteira com países vizinhos, há o perigo de setores contrariados em seus interesses econômicos transformarem-se em ameaças efetivas. Segundo os comandantes, "não existirá nada no Brasil que atrapalhe a atuação do Exército na manutenção da integridade do país", ressaltando que nunca acatarão qualquer ordem contrária a isto, mesmo que venha de esferas superiores. O bispo de Roraima, dom Aldo Mongiano, acredita que as nações indígenas da Amazônia serão desestruturadas com a intensa presença de soldados nas áreas demarcadas. Segundo ele, há um despreparo no tratamento da cultura nativa, além de distorções nas informações prestadas sobre a região, aumentando em muito a gravidade dos fatos. Ele criticou qualquer interferência externa nas reservas, principalmente dos programas militares que pretendem ocupar a floresta. "O medo de perder a Amazônia faz ver grande o que é pequeno", disse (JC).