A AIDS deve matar 87 mil pessoas contaminadas pelo HIV no Brasil, até 1995. Esse número corresponde a quase 30 mil mortes por ano, a maioria das quais no Estado de São Paulo, que concentra 50% dos casos da doença. A previsão está no sétimo Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde divulgado este ano, que registra pela primeira vez a tendência de aumento explosivo da epidemia nos estados situados na rota da cocaína. A droga vem dos países andinos pelo oeste do Brasil, em direção ao litoral. O levantamento estatístico do Ministério indica que de 1987 a 1991 os casos de AIDS se multiplicaram mais de cinco vezes no Mato Grosso do Sul, rota da cocaína, onde a taxa de incidência passou de 0,8 para 4,4 casos em cada 100 mil habitantes. Em contrapartida, um estado fora da rota da cocaína, como o Rio Grande do Norte, teve aumento muito menor de incidência: subiu de 0,6 para 1,9 no mesmo período. "O fator diferencial entre os dois estados é exatamente a frequência relativa do uso de drogas injetáveis como fator de risco para a AIDS", diz o documento. A preocupação dos epidemiologistas é que no Brasil a onda de contágio por meio de drogas injetáveis está atingindo principalmente adolescentes. Entre os jovens contaminados, 58% contraíram a AIDS por meio do uso de drogas. O levantamento estatístico mostra que 1.361 menores de 15 anos já contraíram a doença (O ESP).