O novo modelo para o programa de privatização que o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, quer anunciar esta semana perdeu fôlego e não deverá incluir empresas importantes como a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) ou a BR Petrobrás Distribuidora. Cardoso resolveu restringir a proposta porque chegou à conclusão de que dificilmente conseguiria vender essas empresas ainda durante o governo Itamar Franco. "A venda dessas empresas é polêmica e implica alto risco político", disse um assessor que participa das discussões para modificação do Programa Nacional de Desestatização (PND). Na lista das novas empresas que serão privatizadas a grande novidade será mesmo a inclusão das 18 hidrelétricas ainda em construção-- entre elas Xingó, o sistema Furnas, e ainda a usina nuclear Angra 2--, além da EMBRAER e do Lloyd Brasileiro, depois de saneado. Segundo cálculos técnicos, se o governo conseguir privatizar essas obras economizará cerca de US$20 bilhões, que é o custo estimado para a conclusão das hidrelétricas. O governo discute também a criação de uma nova moeda para a privatização: as dívidas salariais relativas aos planos Bresser e Verão, que servidores federais estão cobrando-- e ganhando-- na Justiça. Até o fim do mês, o Congresso Nacional deverá votar o projeto de mudanças no sistema de concessões de serviços públicos para que o governo possa entregar à iniciativa privada a exploração de rodovias e portos (O ESP) (JB).