A gente não só quer comida, a gente quer também grana para a cultura. É este o tom da campanha de TV, que o Ministério da Cultura lançará no dia 5 de novembro (Dia da Cultura). Ela faz parte da cruzada do ministro Jerônimo Moscardo contra o que chama de "obscenidade" do orçamento da sua pasta: em 1993, foram míseros 0,024% do Orçamento Geral da União. No ar, artistas vão pedir 1% para a Cultura. No último dia 30, Moscardo foi à Comissão Mista de Orçamento. Recebido pelo presidente, senador Raimundo Lyra (PFL-PB), e pelo relator, deputado Marcelo Barbieri (PMDB-SP), entoou os primeiros acordes do seu "lobby", apresentando a proposta de elevação do orçamento do Ministério para 1%. Dois dias antes, o ministro visitou, em São Paulo, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE e coordenador da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida. A idéia é incluir na agenda da Cidadania a luta contra a fome cultural. Fechado esta etapa, o Ministério está se engajando na luta pela aprovação de projeto de lei do deputado Ubiratan Aguiar (PMDB-CE), que altera a Lei Rouanet. Pela redação atual, a lei reserva para o Fundo Nacional de Cultura (FNC) 1% da arrecadação das loterias. O deputado quer estender a contribuição a todos os concursos de prognósticos e similares- - incluindo o Papa-Tudo (Rede Globo) e a Tele-Sena (SBT) (O Globo).