Um ano depois que a Polícia Militar de São Paulo massacrou 111 presos na Casa de Detenção do Carandiru, em dois de outubro, o inquérito elaborado pelo tenente-coronel Luiz Gonzaga Oliveira, atual comandante da Guarda Civil Metropolitana, permanece em andamento na Justiça. Os 120 policiais militares acusados de participarem da chacina continuam trabalhando normalmente e só 25 deles foram interrogados até o final de setembro. A promotoria prevê que as primeiras condenações só deverão ocorrer num prazo de dois anos e meio. Na tarde do último dia dois, cerca de 50 parentes de presos mortos durante a chacina se reuniram diante do presídio para fazer um protesto silencioso contra a violência e a impunidade dos PMs. A manifestação limitou-se a desfiles em frente ao presídio e a gritos pedindo justiça. Os familiares qurem acompanhar a tramitação do processo na Justiça Militar. Segundo o deputado Elói Pietá (PT-SP), a manifestação, organizada com apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), só não foi maior porque as pessoas têm medo de ser identificadas com presos. Pietá afirmou que os advogados dos policiais apostam na falta de provas para a condenação porque não foram realizados exames de balística nas armas. O tenente-coronel Luiz Oliveira, responsável pela primeira etapa do inquérito, tentou ontem minimizar o massacre, afirmando que o número poderia ser bem maior se a tropa de choque da PM não tivesse invadido o pavilhão 9. "Na minha opinião não existe a responsabilidade pelas mortes por parte de quem entrou ou mandou entrar. A situação estava caótica e violenta dentro da Casa de Detenção. O pavilhão estava pegando fogo e os presos já estavam se matando entre si", disse. No total, segundo apurou a promotoria, 340 policiais participaram da operação, sendo que os 120 que invadiram o pavilhão estão sendo processados na Justiça Militar pelo massacre. A maioria dos policiais-- 92- - foi denunciada por homicídio qualificado pelo promotor Luiz Roque Lombardo Barbosa em março. Outros 28 policiais foram denunciados por lesão corporal. Com 42 volumes e 10 mil páginas, o processo está na fase inicial de interrogatório dos réus. Problemas burocráticos emperraram o início das audiências com os acusados no processo, que começou em julho (O Globo) (JB).