PAÍS JÁ TEM 12.640 HOMICÍDIOS EM 1993

Os assassinatos praticados diariamente no Brasil estão transformando o país numa praça de guerra. Em apenas 11 estados, 12.640 pessoas foram assassinadas entre o início de janeiro e o fim de julho deste ano. Isto significa que em menos da metade do país foram mortas, em média, 60 pessoas por dia ou 1.800 por mês, sem contar as vítimas de acidentes de trânsito. Números oficiais apontam o Rio de Janeiro como o estado com maior número de homicídios: 4.670 nos primeiros sete meses deste ano. Em São Paulo foram assassinadas no mesmo período 3.149 pessoas e em Pernambuco 1.745. Minas Gerais ocupa o quarto lugar: 898 assassinatos no período. No Pará 226 pessoas foram assassinadas, enquanto em Goiás foram registrados 470 homicídios. Na Bahia foram registrados 439 assassinatos; em Alagoas, 412; no Ceará, 282; no Rio Grande do Norte, 178; e na Paraíba, 171. A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) revelou que seis trabalhadores e líderes rurais já foram assassinados este ano no país. Os crimes são motivados por disputas de terra e executados, principalmente, por pistoleiros. No ano passado a CONTAG registrou 24 assassinatos de sindicalistas e trabalhadores rurais. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Eldorado do Carajás (PA), Arnaldo Delcidio Ferreira, foi morto em maio enquanto dormia na presença de seus nove filhos. O posseiro Alfin Alves Fagundes foi assassinado um mês depois na cidade de Rondon (PA). O secretário do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Araguaína (TO), Mozarniel Patrício Pessoa, foi assassinado em março. Outro líder rural, Bento Diniz da Silva, foi assassinado por policiais militares por causa da ocupação da fazenda Santana, em Campo Bonito (PR). O diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Grajaú (MA), José Miguel Ointo de Morais, e Amâncio Francisco Dias, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Belém de Maria (PE), morreram por causa de disputas no sindicalismo rural (O Globo).