ESCOBAR SUBORNOU POLICIAIS CIVIS DO RIO DE JANEIRO

O traficante colombiano Pablo Escobar, chefe do Cartel de Medellín, pagou US$10 milhões ao delegado Élson Campello para não ser preso, há cerca de dois anos, em um luxuoso condomínio onde se escondia em Cabo Frio (RJ). A acusação foi feita na madrugada de ontem no II Tribunal do Júri pelo informante Ivan Custódio Barbosa de Lima, principal testemunha da chacina de Vigário Geral. Segundo a denúncia, a extorsão foi comandada por Élson Campello, na época diretor da Divisão Geral de Polícia da Capital. O dinheir teria sido levado de avião a Cabo Frio pelo advogado Michel Assef e recebido pelos policiais civis Nélio Botelho e Ilquer Machado. Após a partilha, Campello teria simulado uma grande operação para prender Escobar, que já havia deixado o condomínio onde estava escondido. Informante da polícia há mais de 10 anos, ao ser preso após a chacina de Vigário Geral, em sua casa de Sepetiba, Ivan resolveu contar o que sabia por estar marcado para morrer. Ele disse que tudo aconteceu a partir da denúncia dos PMs Maduro, do 9o. BPM (Rocha Miranda) e Marcos, do 25o. BPM (Cabo Frio). Ao relatar dezenas de crimes de extorsão, extermínio, contrabando e tráfico de drogas praticados por policiais, a testemunha acabou se auto-incriminando. Os advogados pediram sua prisão, mas a juíza Maria Lúcia Capiberibe a negou, atendendo a parecer dos promotores. A morte de Edméia da Silva Eusébio-- a mais ativa das "mães de Acari", que perderam seus filhos numa chacina-- foi tramada em frente à 6a. DP da Cidade Nova. Edméia e sua sobrinha Sheila da Conceição foram assassinadas na saída da estação do metro do Estácio. O crime foi organizado e comandado pelo soldado PM Eduardo José Rocha Creazzola que participou também da chacina de Acari, em 1990, quando 11 jovens foram sequestrados e mortos. O assassinato de Edméia faz parte do último depoimento prestado pela testemunha-chave da chacina de Vigário Geral. Nele, o informante da polícia relata 14 crimes-- no total, 26 homicídios, além de extorsões e torturas-- cometidos pelo mesmo grupo de policiais militares e civis responsável pela morte de 21 pessoas na favela. As denúncias de enriquecimento ilícito na Polícia Militar já renderam a abertura de 88 inquéritos sobre oficiais e soldados que apresentam padrão de vida incompatível com os salários. Dos suspeitos, 28 são acusados de participação na chacina de Vigário Geral, e a PM acredita que, mesmo sem provas materiais suficientes para condená-los pelo massacre, poderá descobrir irregularidades que justifiquem sua expulsão (JB) (O Globo).