ÍNDICES DA INFÂNCIA PIORAM NO 1o. MUNDO

A política neoliberal adotada pelos governos dos EUA e do Reino Unido na década de 80 piorou as condições de vida das crianças nesses países. Em outros lugares, como no Brasil, os recursos disponíveis bastariam para melhorar o padrão de vida das crianças. Essas são duas das principais conclusões do relatório "O Progresso das Nações", lançado pelo UNICEF em Londres (Inglaterra). O estudo apresenta um "ranking" dos países do mundo de acordo com seus progressos nas áreas de saúde, nutrição e educação das crianças, planejamento familiar e situação social das mulheres. Segundo o relatório, o conceito de bem-estar social é mais apropriado para medir o desenvolvimento de um país do que simplesmente os indicadores econômicos. A maioria dos países fez progressos importantes no sentido de alcançar os índices estabelecidos pelos líderes mundiais na cúpula pelas crianças realizada em 1990. A partir de agora, o UNICEF passa a monitorar anualmente esses avanços através do relatório "O Progresso das Nações". No caso dos EUA e do Reino Unido, o UNICEF registrou um retrocesso nos anos 80 em relação à década anterior. As crianças britânicas estão cada vez mais pobres. O número de famílias que vive abaixo da linha de pobreza aumentou 40% entre 1979 e 1986. Atualmente, cerca de 8% das crianças no país vivem em famílias com renda anual inferior a 40% da média nacional. Na Alemanha, esse número cai para 5%. Já os EUA têm mais de 20% de suas crianças vivendo abaixo dessa linha de pobreza. Isso é duas vezes mais do que a média européia. A culpa por essa deterioração se deve, segundo o UNICEF, à política totalmente orientada para o mercado adotada por Margaret Thatcher, no Reino Unido, e por Ronald Reagan, nos EUA. O thatcherismo e a "reaganomics" impuseram cortes de benefícios sociais e privatizaram setores básicos, como saúde e educação. O desemprego e a recessão completaram o serviço. Os números dos países desenvolvidos ainda são, no entanto, incomparavelmente superiores aos do Terceiro Mundo. Na Suécia, por exemplo, somente cinco crianças em cada mil morrem antes de completar cinco anos de idade. Na Etiópia são 212. A desnutrição não existe na Suíça, mas atinge 66% das crianças em Bangladesh. Só 29% das crianças no Afeganistão estão vacinadas contra o sarampo, contra 97% na Finlândia. Todas as crianças japonesas chegam à 5a. série primária, contra 60% das marroquinas, 41% das brasileiras e 24% das tanzanianas. O Brasil, segundo o UNICEF, não é propriamente um modelo a ser seguido quanto ao bem-estar de suas crianças. Apesar de ter um dos maiores PIBs per capita da América Latina, o país disputa as piores colocações com seus vizinhos mais pobres. Isse se deve à falta de planejamento e à extraordinária concentração de riqueza. Só o Brasil na América do Sul ainda não apresentou um programa de ação nacional para atingir os objetivos de melhoria do bem-estar infantil estipulados pela Cúpula Mundial pelas Crianças. Só Brasil e Bolívia não devem alcançar suas metas para o ano 2000 no continente. Não que tudo seja um desastre. O UNICEF ressalta que o país reduziu drasticamente a sua taxa de natalidade, de 6,2 crianças por mulher, em 1960, para 2,9, em 1990. Apenas 17 países subdesenvolvidos conseguiram uma redução de mais de 50% nesses 30 anos. O relatório considera que a vacinação contra o sarampo é um indicador fundamental "do comprometimento de um país em levar os avanços médicos mais básicos e óbvios à maioria de sua população". Nesse item o Brasil está em terceiro lugar na América do Sul, atrás da Argentina e Chile. Mas abaixo da média do Sudeste Asiático, que é de 89%. Pela sua renda per capita e pelo seu "gap" (defasagem) negativo, os números do Brasil se assemelham aos da África do Sul. Trata-se de um outro país relativamente rico, mas onde essa riqueza só é desfrutada pela minoria branca (FSP).