BRIZOLA AUTORIZA AÇÕES DO EXÉRCITO NO ESTADO

O plano de combate ao tráfico de drogas com a participação do Exército já está em prática no Rio de Janeiro. O Comando Militar do Leste (CML) atendeu ao pedido do governador Leonel Brizola (PDT), depois do conflito na favela do Coroado, em Acari, para a cessão de armas de alto poder de destruição e o treinamento da Polícia Militar. O pedido foi feito por Brizola após entendimento com o comandante militar do Leste, general Rubens Bayma Denys. Eles reconheceram que o crescimento do crime organizado na cidade deve ser contido, sem riscos, sobretudo, para os favelados. De acordo com o Comando do Leste, o Exército ainda avalia a quantidade de armas que vai fornecer à PM, mas já decidiu garantir condições para que os policiais não fiquem em inferioridade diante dos traficantes. A PM vai receber fuzis FAL, Para-FAL e submetralhadoras 9mm. O arsenal do narcotráfico é composto, entre outros, por fuzis AR-15 e metralhadoras israelenses Uzi. O 1o. Batalhão de Forças Especiais, na Vila Militar, ficará encarregado do treinamento dos policiais. Eles vão receber instruções para um tipo de combate que, em tese, não coloca em risco a população civil. A guerra ao crime organizado passa, assim, a ser conduzida por uma força conjunta formada pelo Exército e pelas Polícias Militar, Civil e Federal. Três fatos motivaram essa aliança: a sucessão de chacinas, os conflitos entre traficantes e policiais e o estabelecimento de "áreas liberadas", acima da lei e da ordem, sob o controle dos traficantes. Segundo as informações, o Exército infiltrou, nos últimos dois anos, com a concordância do governo do estado, agentes nas Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, para obter informações sobre os traficantes. O trabalho é conduzido por um major da comunidade de informações, José Maurício Garcia, também conhecido nas delegacias como "doutor Marcelo" ou "doutor Rogério". O Exército dispõe hoje de mapas e filmagens dos morros do Rio e de fotos dos principais traficantes (O ESP) (O Globo).