DEVASSA AFASTA DELEGADOS LIGADOS A CRIMES

O vice-governador, secretário de Justiça e de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, Nilo Batista, anunciou ontem o início de uma "Operação Mãos Limpas", com uma total devassa nas Polícias Civil e Militar do estado. Ele assinou ato que põe em disponibilidade 11 delegados e 23 outros policiais civis, todos suspeitos de terem praticado crimes que vão de extorsão a ligações com tráfico de drogas e, em alguns casos, assassinatos, passando por roubos de carros e cargas. Os suspeitos vão responder a inquéritos policiais que serão solicitados pela Procuradoria de Justiça, além de sindicâncias administrativas. Falando sobre as consequências do início da operação na PM, o secretário Carlos Magno Nazareth Cerqueira disse que mais de 30 policiais-- além dos 28 acusados pela chacina de Vigário Geral-- estão presos. Dois deputados estaduais-- o coronel da reserva da PM Emir Laranjeira e o delegado José Guilherme Godinho, o "Sivuca"-- poderão ser denunciados pela Procuradoria de Justiça ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça, por formação de quadrilha. Entre os delegados, estão alguns de carreira destacada, como Élson Campello, assessor especial para fins de polícia técnica, e Orlando Correia, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). Os delegados são: Orlando Correia , Antônio João Cafieiro, Mário Teixeira Filho, Élson Campelo, José Menezes Santana, Antônio Nonato, Júlio César Mulatinho Neto, Adilson Padre da Costa, Ely Clarindo, Jaime de Lima e Pedro Paulo Abreu. A principal testemunha da chacina de 21 pessoas em Vigário Geral, o ex-PM Ivan Custódio Barbosa de Lima, que há 12 anos era informante da Polícia Civil, confirmou ontem à juíza do II Tribunal do Júri, Maria Lúcia Capiberibe, que a chacina foi planejada no cemitério de Ricardo de Albuquerque, durante o enterro do sargento Aílton Benedito dos Santos, assassinado por traficantes da favela, na madrugada anterior ao massacre. Ivan, que não participou da chacina porque dormiu e perdeu a hora, também revelou detalhes-- que lhe foram contados pelo soldado José Fernandes Neto, um dos acusados-- da ação dos assassinos na favela. Ivan resolveu denunciar tudo à Justiça depois de perceber que ele próprio era a "bola da vez" (estava marcado para morrer). Ele reconheceu 28 dos 31 suspeitos da chacina. Em seu depoimento, Ivan contou que o delegado Antonio Nonato da Costa chefiava na DRE um esquema de extorsão contra traficantes com o apoio do então coronel da PM Emir Laranjeira. PMs comandados por ele e detetives subordinados a Nonato prendiam os bandidos e depois negociavam a libertação com os advogados. As armas e drogas apreendidas eram vendidas para outros traficantes (JB) (O Globo).