Quase metade dos brasileiros-- 41% deles-- sobrevive, hoje, abaixo da linha de pobreza. Ou seja: ganham menos de dois dólares por dia. Desse grupo, 18,7% vivem miseravelmente: eles são considerados pelo Banco Mundial (BIRD) como pessoas que estão num estado de "pobreza extrema". O estudo sobre a distribuição de renda na América Latina indica o Brasil como o exemplo mais grave. Os brasileiros, em geral, pensam no Haiti, no Paraguai e até na Bolívia como os casos extremos. Mas 44% das pessoas mais pobres do hemistério estão, mesmo, no território brasileiro-- que, ironicamente, é o mais rico da região, sendo responsável por 40% do Produto Interno Bruto (PIB) latino-americano. O levantamento feito pelo BIRD, e divulgado na reunião anual conjunta com o Fundo Monetário Internacional (FMI), encerrada ontem em Washington (EUA), mostra que o fator determinante dessa miséria é a educação. Ou, mais precisamente, a falta dela. Dois terços do aumento da desigualdade no país nos últimos 30 anos são atribuídos a essa área. O trabalho mostra um desnível muito grande no Brasil. Por exemplo: os indicadores do Rio Grande do Sul são parecidos com os da Coréia e de Portugal, em termos de renda. Enquanto isso, os números referentes à Paraíba são comparáveis somente aos do Quênia, na África. O índice de mortalidade no Brasil também era maior: 83 por mil crianças, enquanto na Argentina a relação era de 35 para cada mil. O Brasil também aparece no estudo do BIRD como o líder em desnutrição. Mais de cinco milhões de crianças comem muito menos do que o necessário. O segundo pior índice, nesse setor, é do México, onde há 1,9 milhão de crianças nessa situação. No Peru, os desnutridos são apenas 429 mil (O Globo).