BETINHO QUER "EMPENHO PESSOAL" DE ITAMAR FRANCO

O coordenador da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE, disse ontem que está faltando o "empenho pessoal" do presidente Itamar Franco na execução da campanha contra a fome feita pelo governo. "Eu mesmo disse ao presidente que, sem sua participação ativa, o programa teria dificuldades de execução", afirmou. Ontem à noite, o assessor de imprensa da Presidência, Francisco Baker, disse que Itamar só se manifestaria sobre o assunto depois de a reportagem ser publicada. Na opinião do sociólogo, a execução da campanha custeada pelo governo esbarra na "complexidade da máquina e em mecanismos burocráticos". Para Betinho, o presidente priorizou o combate à fome no momento que evitou cortes em recursos destinados ao programa, mas "um simples telefonema dele (Itamar) agilizaria a execução do programa", disse. Há um mês, segundo Betinho, o governo anunciou a distribuição de cestas básicas para famílias carentes do Nordeste e só na próxima semana os alimentos começam a ser distribuídos. A previsão do governo é de que sejam dadas pelo Programa de Distribuição Emergencial de Alimentos 1,5 milhão de cestas básicas durante quatro meses, num total de 150 mil toneladas de alimentos. Deverão ser atendidos pela campanha famílias de 1.151 municípios nordestinos. Cada cesta distribuída pelo governo deverá ter 12 kg de arroz, um kg de feijão, seis kg de milho e três kg de farinha de mandioca. Além de oito ministros, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar, nome oficial da campanha do governo, tem 21 representantes da sociedade civil, entre eles Betinho e o bispo de Duque de Caxias (RJ), dom Mauro Morelli. "O dom Mauro está trabalhando tanto que está com pneumonia", afirmou Betinho. Para ele, a Ação da Cidadania, quando comparada ao conselho tem a vantagem da agilidade e da descentralização (FSP).