Representantes dos quatro países do MERCOSUL analisarão, no próximo dia quatro, no Rio de Janeiro (RJ), a proposta brasileira de coordenar as políticas cambiais, para prevenir as distorções causadas pelas desvalorizações monetárias no comércio regional. O subgrupo técnico número 10 do MERCOSUL analisará um documento redigido pelo Ministério da Fazenda do Brasil, que foi entregue há duas semanas a representantes do governo argentino. O documento propõe pôr limites à variação real das cotações cambiais dos quatro países, para evitar os efeitos das desvalorizações chamadas competitivas, que aumentam a capacidade exportadora do país que as pratica. O Brasil propõe a criação de um unidade de referência cambial para estabelecer a paridade das quatro moedas em relação ao dólar ou uma cesta de oito divisas internacionais, correspondentes aos principais parceiros comerciais dos países do MERCOSUL. O Brasil sugere ainda que o MERCOSUL crie um fundo regional de intervenção, destinado a evitar a saída de alguma das moedas da faixa de flutuação que for combinada. O fundo seria formado com a contribuição dos quatro sócios, em divisas internacionais, e seria utilizado para defender a moeda que estivesse debilitada. Especialistas argentinos têm alertado que o plano brasileiro enfrenta dificuldades em relação ao sistema legal que regula a cotação da moeda naquele país. A chamada lei de conversão do peso argentino estabelece uma estreita faixa de flutuação cambial para a moeda nacional, que de fato permanece na paridade de um por um em relação ao dólar, desde abril de 1991. Os técnicos consideram que vincular as flutuações do peso argentino às moedas do MERCOSUL obrigaria o governo de Carlos Menem a abandonar a rígida paridade com o dólar, uma das bases do programa econômico em vigor. Enquanto o câmbio nominal argentino não tem sofrido modificações em quase 30 meses, o cruzeiro real vem se desvalorizando quase no mesmo ritmo da inflação brasileira, que já supera os 30% ao mês (JC).