O investigador Celso José da Cruz foi condenado ontem a 516 anos de prisão pela morte de 18 presos asfixiados no 42o. Distrito Policial do Parque São Lucas, zona leste de São Paulo (capital). A decisão inédita do 1o. Tribunal do Júri de Vila Mariana é o primeiro caso de condenação de policial envolvido em chacina no país. A pena, considerada histórica pelo promotor Antônio Carlos da Ponte, foi reflexo da comoção nacional diante da violência policial. Cruz deu a ordem para o confinamento de 50 presos em uma cela forte de 4,5 metros quadrados, sem ventilação, depois de uma tentativa de fuga em cinco de fevereiro de 1989. Para o promotor, a decisão do júri é um marco na história do Direito. "É um alerta às autoridades para dar um basta à impunidade e ao ciclo de chacinas que estão caracterizando o Brasil", disse. O juiz Manuel Morales determinou a prisão imediata do investigador, levado à Penitenciária da Polícia Civil. Por cinco votos a dois, o crime foi qualificado como homicídio doloso (intenção de matar). A maioria dos jurados entendeu que o homicídio foi provocado por motivo torpe e meio cruel, impossibilitando tentativa de defesa. Os jurados negaram por unanimidade as atenuantes (JB) (O ESP).