As Forças Armadas realizarão, durante 10 dias e a partir do próximo dia quatro, a Operação Surumu, a maior manobra militar conjunta de todos os tempos na Amazônia. Cinco mil homens, com apoio de 37 aeronaves, quatro navios, dois navios-hospital e dezenas de veículos, realizarão exercícios de tiro real ao Norte de Boa Vista, em Roraima. A área das manobras tem 34,9 mil quilômetros quadrados (equivalente ao tamanho do Estado da Paraíba), fica próxima à Base Militar de Surucucu, dentro da reserva indígena, e perto do local de massacre dos índios yanomamis, na área de fronteira da Venezuela com a Guiana. Ao anunciar ontem a Operação Surumu, o comandante de Operações Terrestres do Exército, general Geise Ferrari, explicou que as manobras objetivam exclusivamente o treinamento da tropa e que não têm nenhuma relação com o que definiu como fatos recentes-- o massacre dos índios, os conflitos envolvendo garimpeiros e as propostas favoráveis à internacionalização da Amazônia. Estes fatos contribuíram para que os militares voltassem a defender a efetiva ocupação da região, com a reativação do Projeto Calha Norte. "O planejamento da operação foi decidido no final de 1991. Só se tivéssemos uma bola de cristal poderíamos prever, na época, que isso aconteceria", disse. Com a mobilização de três mil homens das unidades instaladas na área ou de outros quartéis localizados em diversos pontos do país, o Exército será o protagonista da operação. A Marinha, além de oferecer apoio logístico, ficará responsável pelo patrulhamento dos rios Branco e Negro, que cortam a região, para prevenir eventuais ataques do inimigo imaginário. A Força Aérea Brasileira (FAB) terá a incumbência de transportar as tropas convocadas de outros estados. Dada a dimensão da operação, os militares decidiram utilizar também três aviões das principais companhias aéreas-- VARIG, VASP e Transbrasil, cujo combustível será custeado pelas Forças Armadas. O Exército gastará CR$31 milhões na operação. A Marinha, CR$27,6 milhões, e a Aeronáutica não revelou quanto gastará. O governo brasileiro enviou para 14 embaixadas formulários de propostas de financiamento para a instalação do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). As empresas estrangeiras interessadas na venda de 14 radares e diversos equipamentos terão que investir 30% do valor do financiamento (de US$600 milhões) na aquisição de produtos nacionais (JC) (O Globo).