O governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT), afirmou ontem que não vai pedir ajuda às forças federais para combater o narcotráfico no Rio. Ele disse que a Polícia Federal é omissa nas suas atribuições de repressão ao contrabando de armamentos e tráfico e sugeriu que o Exército interferisse neste trabalho. "O governador do Rio reclama ações e providências da PF em relação ao contrabando de armamentos e narcotráfico para o estado. O Rio não produz cocaína, maconha, nem droga nenhuma", afirmou. Ele também não pensa em reformular a atual política de segurança do estado. Afirmando que São Paulo é muito mais violento do que o Rio, o governador disse que "tudo, no fundo, tem o objetivo de descarnar o Leonel Brizola". O governador admitiu, no entanto, que não descarta a possibilidade de pedir ajuda ao Exército para combater o narcotráfico. "Eu nunca descartei, mas no momento eu não acho necessário", afirmou. Revoltado com o diretor da PF, coronel Wilson Romão-- que na véspera afirmara que os morros cariocas são verdadeiras zonas liberadas, onde quem manda é a criminalidade"--, o governador disse que ele tem uma visão torpe, "é a mesma que foi imposta aqui a partir de 64 e que nos transformou neste caos". Alegando duvidar da competência "desse coronel", o governador não acredita que a PF possa desenvolver nas favelas e bairros da cidade melhor trabalho que as Polícias Civil e Militar. O diretor da PF, Wilson Romão, manifestou ontem interesse em apresentar pessoalmente ao governador Leonel Brizola, o plano de ocupação conjunta (PF e Exército) dos morros da cidade. Voltando atrás nos ataques ao governador, Romão disse que "Brizola é um homem inteligente e brilhante. Infelizmente ele interpretou mal o que falei, por isso quero me encontrar com ele e discutir formas de solucionar os problemas do Rio". Responsável por qualquer movimentação de tropas do Exército no país, o comandante de Operações Terrestres, general Geise Ferrari, admitiu ontem que já tem pronto um plano de ação para intervir no combate ao narcotráfico no Rio, caso seja acionado por um dos três poderes da República, como prevê a Constituição. O Rio é considerado pela cúpula militar hoje como o principal foco de tensão social do país. Caso haja a solicitação de apoio das Forças Armadas para combater as quadrilhas de traficantes cariocas, a maior preocupação dos militares é que a atuação não será pacífica. O confronto será violento e certamente haverá mortes. Ontem, o Exército interrogou seis traficantes do Morro do Borel. Segundo fontes da PM, as informações prestadas pelos traficantes, que aguardam julgamento no Presídio Ari Franco, podem ter acrescentado os detalhes finais ao plano de ocupação dos morros e favelas cariocas por uma força de segurança formada pelo Exército, PF, PM e Polícia Civil (O Dia) (JB) (O ESP).