CATADOR DE PAPEL É QUEIMADO VIVO NO RIO DE JANEIRO

Duzentos moradores de Jardim América, zona norte do Rio de Janeiro (capital), revoltados com o assassinato da bebê R.J.C., de nove meses, que morreu queimada ontem, fizeram justiça com as próprias mãos. Armados de paus e pedras, eles localizaram o catador de papel Adilson Oliveira Barroso, de 33 anos, acusado de ter incendiado a casa do pai da menina, o pedreiro Lourival da Silva Cavalcante, e, após uma sessão de mais de uma hora de linchamento, lhe atearam fogo ao corpo, matando-o. O catador foi apanhado oito horas depois do crime, próximo à sua casa, na favela do Dique, em Vigário Geral, a 800 metros do local onde seria assassinado. "O movimento foi liderado pelas mulheres. Elas vieram batendo nele e, quando chegaram aqui, o amarraram. Mas ele conseguiu se soltar e deu uma rasteira numa delas. Os homens então entraram em ação. As mulheres pensaram em lhe arrancar os dedos, mas eles decidiram arrebentá- lo a pauladas. Depois colocaram uma madeiras em cima dele, jogaram álcool e riscaram um fósforo", lembrou a vizinha do casal Lourival e Maria José de Lima Justino, Rose da Costa. Somente no mês de julho, três pessoas foram linchadas e mortas no Rio de Janeiro (O Dia) (O Globo).