FMI E BIRD APONTAM TERCEIRO MUNDO COMO EXEMPLO PARA RICOS

Os países em desenvolvimento tiveram ontem o seu dia de glória, na abertura oficial da 48a. reunião anual conjunta do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial (BIRD), em Washingto (EUA). Eles, que passaram os últimos anos ouvindo repreensões e conselhos em matéria econômica, foram apontados publicamente como exemplo a ser seguido pelos países ricos. "Os países em desenvolvimento se transformaram numa força poderosa na economia mundial. Deverão contribuir com cerca de um terço do crescimento do produto bruto mundial nos próximos cinco anos", disse o presidente do BIRD, Lewis Presto. Em seguida, o diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, reforçou os elogios e deu um puxão de orelhas nos países industrializados. Enquanto o Terceiro Mundo tem um crescimento econômico de 6%, o Primeiro ficou em 1,1%. "Os países em desenvolvimento mostraram aos ricos que nenhuma ação é mais efetiva do que a aceleração e o fortalecimento de sua própria recuperação. E não há melhor investimento agora do que fornecer um apoio apropriado para agilizar e fortalecer uma total integração dos países em desenvolvimento com o sistema econômico global", disse Camdessus. "Alguns países, em especial na América Latina, deram uma virada espetacular. Mas o maior problema é que o progresso econômico tem sido muito injusto, pois deixou para trás centenas de milhões das pessoas mais pobres do mundo. Além disso, muitos países fizeram pouco ou nenhum progresso nos últimos 10 ou mesmo 20 anos, no sentido de melhorar o padrão de vida de seu povo", completou Camdessus. A maioria dos países latino-americanos está hoje com suas finanças em melhores condições, mas isso não vem trazendo benefícios à maior parte da população-- os mais pobres. Um estudo do BIRD conclui que "a inabilidade da América Latina de lidar efetivamente com a pobreza e a desigualdade é, talvez, a mais clara e triste falha das políticas tradicionais" e "as reformas econômicas em alguns países não foram acompanhadas pela modernização das instituições políticas, criando tensões" (O Globo).