Basta uma ordem do presidente Itamar Franco, a partir de um pedido do governador Leonel Brizola (PDT), para o Exército começar a agir contra a violência no Rio de Janeiro. O anúncio foi feito ontem pelo ministro- chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), almirante Arnaldo Leite Pereira. Segundo ele, o plano de ação do Exército para ajudar as polícias Civil e Militar no combate ao narcotráfico está pronto e inclui cerco aos morros, cessão de armamento e resgate de armas exclusivas das Forças Armadas em poder dos traficantes. O anúncio do chefe do EMFA foi feito na Escola Superior de Guerra (ESG), na Urca, ontem pela manhã, ao mesmo tempo em que 170 policiais travavam uma batalha com os traficantes da Favela Coroado, em Acari, na qual morreram oito traficantes e 14 pessoas ficaram feridas, entre elas seis policiais. A batalha começou por volta das 5h, quando os homens da Delegacia de Repressão a Entorpecentes investigavam informações sobre a chegada de um carregamento de 180 quilos de cocaína para William Monte Herbster Junior, o "Parazão", chefe do tráfico na área. Os policiais foram recebidos a bala e teve início um tiroteio que só acabou cinco horas depois. Na avaliação da polícia foram disparados cinco mil tiros e lançadas pelo menos 50 granadas, pelos dois lados. Ao final, foram presos 12 traficantes, cinco deles menores. "Parazão" conseguiu fugir. Em Brasília (DF), o diretor-geral da Polícia Federal, coronel Wilson Romão, disse ter um plano estratégico para combater a violência nos morros do Rio, que, segundo ele, já apresentam características de guerrilha urbana. O governador Brizola reagiu afirmando em nota oficial que o Rio de Janeiro não produz maconha, cocaína ou armas. Tudo entra como
75944 contrabando, que é da competência da Polícia Federal evitar. Das 19h do último dia 26 às 7h do dia 27, foram cometidos na região metropolitana de São Paulo 47 assassinatos, 38 na capital. Em média, um homicídio a cada 15 minutos. O diretor do Departamento de Homicídios da polícia, delegado Jorge Miguel, disse que "só desarmando a população poderemos ter algum controle da situação" (JB).