CONGRESSO DECIDE REVISÃO SEM PRESSÕES DO PLANALTO

O Congresso Nacional decide amanhã se a Constituição de 1988 será revista este ano. O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, e a área econômica acham a revisão indispensável ao saneamento da economia, mas o governo prefere aguardar a decisão do Congresso. "O governo não deve se meter agora nessa discussão", afirmou o líder na Câmara, deputado Roberto Freire (PPS-PE), pessoalmente favorável à revisão já. PMDB e PSDB reúnem hoje suas executivas nacionais para fixar posições partidárias e traças estratégias para a votação. PFL e PPR são favoráveis à revisão; os partidos de esquerda, contra. Nas últimas horas, ganhou força no Congresso a proposta de um "emendão" que altera a Carta apenas nos capítulos tributário, fiscal e previdenciário. O presidente do PMDB, deputado Luiz Henrique (SC), já admite a hipótese do Congresso limitar a pauta revisional este ano às questões. Contrário à revisão, o PDT também manifesta simpatia pelo "emendão". O senador Pedro Simon (PMDB-RS), a favor do adiamento, teme que o clima eleitoral que já contaminou o Congresso prejudique aspectos essenciais da revisão. Em São Paulo (SP), a abertura do 2o. Congresso Nacional da Força Sindical se transformou ontem em um ato contra o adiamento da revisão constitucional. O governador Luiz Antônio Fleury (PMDB), o prefeito Paulo Maluf (PPR) e o presidente da central sindical, Luiz Antônio de Medeiros, foram unânimes na defesa da revisão este ano, ainda que parcial. Cauteloso, o ministro do Trabalho, Walter Barelli, preferiu aguardar a posição oficial do governo, apesar de já ter declarado que acredita na elaboração de uma agenda mínima (JB).