ACUSADO DE CHACINA DE PRESOS VAI A JULGAMENTO

Começou ontem em São Paulo (SP) o julgamento do investigador Celso José Cruz, um dos acusados pelo assassinato dos 18 presos que morreram asfixiados no interior da cela forte-- um cubículo sem entrada de ar, com cerca de quatro metros quadrados-- do 42o. Distrito Policial do Parque São Lucas, zona leste da capital paulista, ocorrido no dia cinco de fevereiro de 1989. Acusado por homicídio triplamente qualificado e apontado como o autor da ordem para que os detentos fossem trancafiados na cela, Cruz negou a autoria do crime e jogou a responsabilidade para o delegado Carlos Eduardo Vasconcelos, ex-titular do distrito, que tembém irá a julgamento, junto com o carcereiro José Ribeiro. A chacina do 42o. DP ocorreu no domingo do carnaval de 1989. Por volta das 8h, os detentos tentaram uma fuga. Impedidos pelos policiais, retornaram à carceragem, iniciando uma rebelião. O investigador Cruz, responsável pela delegacia na ocasião, chamou a Polícia Militar, que sufocou a revolta com muita pancadaria. Os PMs, acompanhados de Cruz e do carcereiro Ribeiro, forçaram 51 presos, nus, a passarem por um "corredor polonês" e os empurraram para dentro da cela forte, onde a única entrada de ar estava soldada e o espaço ocupado por colchões. Uma hora e meia depois, 18 estavam mortos. Se os responsáveis já tivessem sido punidos, tenho dúvidas se outras
75926 chacinas, como a do Carandiru, Candelária e Vigário Geral, terima
75926 ocorrido, afirmou o promotor Antônio Carlos da Ponte, que vai pedir a pena máxima para os três policiais. Na Justiça Militar, 29 PMs respondem a processo por participação na chacina, mas não há data para julgamento (JB).