O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, fez ontem o discurso de abertura da 48a. sessão da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque (EUA). Amorim afirmou que o governo Itamar Franco trata como prioridade a questão dos direitos humanos e disse que é urgente uma ação para evitar crimes como o assassinato de crianças. Para o chanceler, deve-se atacar as raízes econômicas e sociais desses problemas, além de seus aspectos imediatos. Amorim disse ainda que, com o fim da Guerra Fria, o eixo de preocupações mundiais deslocou-se do sentido Leste-Oeste para o Norte-Sul. "A justiça social em uma sociedade global torna-se condição indispensável para evitar crises, reduzir tensões, consolidar a democracia e promover os direitos humanos", afirmou. Críticas ao intervencionismo e defesa de um esforço solidário para promover o desenvolvimento foram os pontos de destaque do discurso do chanceler brasileiro. Celso Amorim procurou ressaltar a "efetividade cada vez maior das medidas adotadas pelo governo na região amazônica, com base no exercício pleno e irrevogável de sua soberania". "Sob o manto do humanitarismo e da moral se escondem novas concepções como bom governo e direito de intervenção, além de velhas práticas como o eco- protecionismo, para justificar atos discriminatórios", discursou Amorim. O chanceler considerou que o intervencionismo dos países desenvolvidos recria os conflitos da Guerra Fria com uma "orientação Norte-Sul". O ministro sugeriu ao secretário-geral da ONU, Butros Galhi, que elabore uma agenda para o desenvolvimento tão sólida quanto a que dedicou à paz. E considerou ser imperativo que "a comunidade internacional estimule solidariamente a criação de condições para o progresso e não para preservar os privilégios". "Devemos reconhecer que somente o desenvolvimento social e ecológico economicamente sustentado permitirá alcançar nossos objetivos", afirmou Amorim. O presidente dos EUA, Bill Clinton, pediu em seu discurso que a ONU reveja seus critérios para o envio de forças de paz. Clinton também afirmou que os EUA serão mais cautelosos antes de se juntar a novas operações de paz. As Nações Unidas não podem se engajar em todos os conflitos mundiais, disse Clinton. "Se o povo norte-americano está disposto a dizer "sim" às operações de paz da ONU, as Nações Unidas têm de saber dizer "não"". Clinton tentou assegurar à Assembléia Geral que seu país não vai adotar uma política isolacionista no momento que o fim da Guerra Fria faz os EUA se preocuparem mais com seus problemas internos. Para reforçar essa impressão, Clinton disse que os EUA vão pressionar pela assinatura de um acordo para banir a produção de plutônio ou urânio para armas nucleares. O primeiro-ministro do Japão, Morihiro Hosokawa, anunciou que seu país vai destinar de US$70 bilhões a US$75 bilhões, nos próximos cinco anos, para programas de desenvolvimento econômico nos países em desenvolvimento. Ele disse que o Japão também compartilha do desejo de outros países, inclusive o Brasil, de uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, dominado atualmente pelas potências nucleares com poder de veto, numa divisão característica da finada Guerra Fria (FSP) (O ESP) (JB).