O Banco Mundial (BIRD) deixa a desejar tanto na formulação, quanto na colocação em prática de seus programas de combate à pobreza e, embora tenha investido bilhões de dólares, está ainda muito longe de ajudar a solucionar esse problema, segundo Louis Emmerij, assessor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O Banco Mundial "fala muito mas faz pouco", disse o especialista holandês que analisou os programas do BIRD contra a pobreza, a pedido do Grupo dos 24 (G-24), que representa os países em desenvolvimento da Ásia, África e América Latina. Documento preparado por Emmerij sustenta que, enquanto o BIRD produz volumes impressionantes de estudos e programas, falha nas próprias recomendações. Com efeito, do total acumulado de empréstimos do BIRD até junho de 1992 (US$218 bilhões) apenas US$10 bilhões (menos de 5%) foram aplicados em desenvolvimento urbano, que é o setor mais ligado à pobreza extrema. O setor de agricultura e desenvolvimento rural recebeu US$40 bilhões e US$500 milhões, dos quais boa parte para estimular o crescimento econômico, antes que para criar empregos e melhorar as condições de vida no campo, acrescenta o documento. O setor de energia recebeu US$47,2 bilhões, o de desenvolvimento financeiro US$21,4 bilhões, a indústria US$16 bilhões, o de transporte US$31 bilhões, o de educação US$9,5 bilhões e o de população, saúde e nutrição US$2,6 bilhões. Quando se observa para onde foi o dinheiro fica claro que o BIRD está
75918 longe de aproximar-se das metas que fixou para si mesmo, enfatiza o estudo. Na mesma linha de raciocínio, Emmerij diz que o BIRD esqueceu uma parte de sua estratégia para reduzir a pobreza: a de promover um padrão de crescimento econômico com uso intensivo da força de trabalho. Na prática recente, o Banco Mundial deu ênfase à educação básica e a programas de planejamento familiar, saúde e nutrição. A agricultura e o desenvolvimento rural são ignorados e a reforma agrária só é mencionada de passagem, segundo o documento. "O BIRD atua como se o crescimento econômico, mais a educação, tivessem impacto significativo sobre a pobreza, assim como para melhorar o clima social, quando sabe que isso é errado", diz o estudo. A diretoria do Fundo Monetário Internacional (FMI) continua se opondo à venda de parte de seus estoques de ouro para financiar uma nova linha de crédito destinado aos países mais pobres do mundo, revelou o chefe do departamento de política da organização, John Boorman. "Não existe apoio suficiente entre os membros da diretoria para adotar isso como uma das opções viáveis", explicou o dirigente. Vender ouro foi sugerido inicialmente pela Inglaterra em abril e foi repetido pelo ministro da Fazenda britânico, Kenneth Clarke, ontem, durante a reunião conjunta do FMI-BIRD, em Washington (EUA). Boorman declarou que a proposta foi discutida informalmente dentro da instituição. O FMI propôs um sucedâneo à sua linha ampliada de ajuste estrutural, que fornece empréstimos quase sem custo aos países mais pobres do mundo (JC) (GM).