ITAMAR DIZ QUE DEVERIA TER ANTECIPADO SUA SUCESSÃO

Se dependesse da vontade do presidente Itamar Franco, os brasileiros estariam às vésperas da eleição para escolher seu sucessor. "Quando assumi efetivamene a Presidência, pensei em mandar ao Congresso proposta de emenda à Constituição para que o Brasil elegesse um ano depois de minha posse um novo presidente. Ele teria mandato de seis anos. Pelos meus cálculos, as eleições poderiam ser realizadas no próximo domingo, três de outubro. Hoje, confesso que tenho dúvidas se não deveria ter enviado a mensagem. É a primeira vez que faço essa revelação". No balanço que faz de seu primeiro ano de governo-- está no cargo desde dois de outubro de 1992--, Itamar destaca como conquistas a recuperação do crescimento econômico sem hiperinflação e a abertura da "caixa-preta" do Banco Central. Fora isso, "conseguimos demonstrar ao país que a corrupção não faz parte da cultura do nosso povo". Os piores momentos do governo correram por conta de três massacres: dos meninos da Candelária, dos favelados de Vigário Geral e dos índios yanomamis. "Nunca me considerei sinônimo de crise. Só os de má-fé podem pensar assim", reclamou. "É fácil atribuir a um só homem e a um só mandato uma crise que vem desde a Independência e que se resume na absoluta insensibilidade social de algumas áreas", disse. A votação do afastamento de Fernando Collor de Mello da Presidência da República completa um ano no próximo dia 29, mas o drama está longe do último capítulo. Para alguns personagens, não houve final feliz. Desde que Luiz Octavio da Motta Veiga demitiu-se da PETROBRÁS, em outubro de 1990, e denunciou pela primeira vez publicamente o "esquema PC", alguns vilões já foram castigados. Como o próprio Collor, que perdeu o cargo, ou Paulo César Farias, que perdeu o sossego para usufruir seus dólares. Collor já pensa no futuro. Quer ser deputado federal por São Paulo, já que nada sobrou na "República das Alagoas". Mas alguns heróis também acabaram punidos, como o motorista Eriberto França e a secretária Sandra Oliveira, que perderam o emprego. "O Brasil não gosta de heróis", conclui Eriberto. Neste grupo pode ser incluído o presidente Itamar Franco, o herdeiro do caos (JB).