Nos primeiros seis meses deste ano, 4.132 pessoas foram assassinadas no Estado do Rio de Janeiro. É o mesmo que uma chacina do porte da que ocorreu na favela de Vigário Geral, onde 21 pessoas morreram, acontecesse diariamente. Em nove anos, o número de homicídios no estado quase dobrou- - em 1984 foram registrados 4.283 assassinatos. As estatísticas da Secretaria de Estado da Polícia Civil comprovam o elevado índice de violência no Rio. De acordo com os registros do ano passado, a cada hora 28 crimes são praticados no estado, um recorde nos últimos nove anos (dados disponíveis). A principal peculiaridae da violência no Rio de Janeiro é o funcionamento do crime organizado como o CV (Comando Vermelho) e o TC (Terceiro Comando), facções criminosas rivais que disputam o tráfico de drogas nas favelas do estado. Os principais líderes desse grupos estão presos, mas continuam coordenando o tráfico da cadeia. Além disso, existem no Rio, segundo números da CPI do Extermínio da Assembléia Legislativa concluída em 1990, 15 grupos de extermínio compostos em sua maioria por policiais militares e civis, com atuação principalmente, mas não restrita, nos municípios que compõem a Baixada Fluminense, como Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João do Meriti e Belford Roxo. O governo do estado criou em 1991 uma central de denúncias destinada a identificar e combater os grupos de extermínio como os conhecidos "Cavalos Corredores"-- integrado por policiais militares, acusados de envolvimento nas chacinas de Acarí (11 mortos) e de Vigário Geral. Até o dia 31 de agosto, a central recebeu um total de 3.885 denúncias que resultaram na prisão de 162 pessoas, sendo 55 PMs e um policial civil. Do número global de presos, 96 estavam envolvidos com grupos de extermínio e 28, com tráfico de drogas (FSP).