LOBBY EMPRESARIAL CUSTA US$2 MILHÕES

As principais entidades empresariais do país estão gastando cerca de US$2 milhões para influenciar na reforma constitucional. O dinheiro está sendo aplicado em estudos, pesquisas, seminários, passagens de avião, disquetes de computador e contratação de juristas que costumam cobrar na faixa de US$5 mil por um parecer. Os documentos produzidos estão sendo enviados a parlamentares. Deputados e senadores tem sido chamados para reuniões e debates. Os empresários estão convictos de que a revisão será limitada a uma agenda mínima de temas e estão certos de que não serão alterados os direitos sociais da Constituição promulgada em 1988. Os empresários começaram esse trabalho há um ano. De forma discreta, mas procurando a eficiência a cada momento, para que não se repita o apagado e fraco desempenho do lobby empresarial na Constituição de 88, quando prevaleceu o comportamento individual de empresários. A FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), por exemplo, já produziu um documento para influir na revisão constitucional. Seus principais pontos são: redução da intervenção do Estado na economia; novo sistema tributário; fim da discriminação contra o capital estrangeiro; e mudanças no sistema de custeio da seguridade social; além da pluridade sindical. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) também tem realizado seminários para estudar a revisão constitucional. As multinacionais também estão se movimentando. O grupo Empresas Brasileiras de Capital Estrangeiro (EBCE) reúne-se na FIESP e realizou uma série de seminários com juristas importantes. As câmaras de comércio estrangeiras fizeram o mesmo isoladamente ou em reuniões conjuntas. Agora, na reta final para a revisão constitucional, as principais entidades empresariais do país com escritórios em Brasília (DF) acompanham o comportamento dos parlamentares, principalmente os que deverão ter maior influência quando a revisão da Carta começar. Assim estão funcionando os escritórios da CNI, da FIESP, da Confederação das Associações Comerciais, da Confederação Nacional das Empresas Financeiras e da Confederação do Comércio. Por trás dessas entidades, um batalhão completo de juristas e toda a infra-estrutura necessária para o trabalho (O ESP).