Ao atualizar uma pesquisa iniciada em 1990 sobre educação básica, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), do Ministério da Educação, constatou que quase 60% dos diretores e professores das escolas de todo o país vêm ingressando e sendo indicados para os cargos por políticos e técnicos. Os restantes 40% foram aprovados por concurso público. O rendimento dos alunos é bom nas três primeiras séries. A partir daí, começa a declinar. O INEP constatou que a média geral de desempenho dos 27 milhões de alunos do ensino básico é baixa, mas não tão ruim como poderia se imaginar, explicou o coordenador de avaliação do instituto, Orlando Pilati. Pelo trabalho, ficou constatado que não existe muita diferença de desempenho dos alunos entre os estados. São Paulo é igual a Goiás, informou Pilati, acrescentando que até mesmo em alguns estados a diferença de rendimento em seus municípios é grande. "Em alguns municípios o desempenho dos alunos é até melhor que na capital do estado a que pertencem", disse Pilati. Segundo Pilati, "embora as escolas continuem a reprovar em larga escala, as linhas médias de domínio de conteúdo estão num patamar que não se pode considerar tão baixo, apesar de distanciarem-se do mínimo desejado e de conterem diferenciais muito significativos. Os sistemas de ensino mostram, em geral, níveis declinantes de rendimento em todas as matérias examinadas, à medida em que avança a seriação". O trabalho do INEP foi feito em 846 municípios, pesquisando 4.790 escolas, sendo 3.277 em áreas urbanas e 1.513 em áreas rurais. A mesma pesquisa mostra que, no país, 64,9% dos diretores de escolas de ensino básico não têm formação específica em administração escolas. Dos 35,1% com formação específica, 31,1% têm nível de graduação e apenas 4% têm nível de pós-graduação, concentrando-se estes últimos na rede estadual, na zona rural e na capital. O INEP avaliou também a questão do fracasso dos alunos no ensino de primeiro grau. Na visão dos diretores, os fatores que mais contribuem para o fracasso dos alunos, numa escala de zero a 10, são miséria (7,7%), e a estrutura e funcionamento do sistema educacional (7,6%), seguidos pela falta de apoio das famílias. O fator que menos contribui para o fracasso escolar, segundo os diretores, com peso de 5,6%, é a organização da escola e a prática dos professores (JC).