CENTRAIS SINDICAIS DIVERGEM SOBRE HORA EXTRA

O objetivo das duas principais centrais sindicais do país, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a Força Sindical, é o mesmo: acabar com as horas extras para aumentar o emprego. Mas as propostas para atingí-lo são opostas. A Força Sindical defende que os empresários tenham de pagar 200% a mais pela hora extra. Já a CUT reivindica que a hora extra de trabalho tenha, para o empresário, o mesmo preço da normal. "A única forma de os patrões se sentirem estimulados a acabarem com a hora extra é tornar seu custo muito elevado", diz Luiz Antônio de Medeiros, presidente da Força Sindical. Heiguiberto Della Navarro, presidente da Confederação dos Metalúrgicos da CUT, raciocina de forma oposta: "O operário só trabalha além de sua jornada porque o salário está baixo. Com a hora extra valendo a mesma coisa que uma hora normal, ela perde seu atrativo". Segundo pesquisa da Força Sindical, de dezembro de 1992 a agosto último, 135,5 mil trabalhadores deixaram de ser contratados devido às horas extras realizadas. A FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) quer acabar com o conceito de hora extra e substituí-lo pelo de horário flexível. A proposta implicaria o estabelecimento de um número X de horas a serem trabalhadas por ano e que seriam distribuídas ao longo dos meses de acordo com a necessidade de produção. O objetivo dos industriais é contornar o problema da instabilidade da demanda. A idéia será apresentada a outras entidades empresariais antes de ser encaminhada ao Congresso Nacional como proposta para a revisão constitucional. A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) também precisaria ser mudada. A FIESP, no entanto, está mais inclinada a discutir aspectos práticos (como o piso e o teto da carga horária anual) do que o princípio da flexibilidade (FSP).