A DDV (Divisão de Defesa da Vida) da Polícia Civil do Rio de Janeiro informou ter descoberto a existência de sete grupos de extermínio formados por policiais civis e militares, ex-policiais e informantes. O delegado Elias Gomes Barboza, da DDV, disse que os grupos atuavam no Rio, Baixada Fluminense, Niterói e São Gonçalo. Integrantes dos sete grupos estão presos sob a acusação de envolvimento na chacina de 21 moradores da favela de Vigário Geral. A exemplo do que ocorre no jogo do bicho, cada grupo tinha sua área de atuação. Os limites eram respeitados pelos matadores. Em Vigário Geral, afirma o delegado, os "soldados" dos sete grupos se uniram para vingar a morte de um de seus líderes. A Polícia Militar garantiu que o grupo de extermínio formado por policiais tem mais integrantes do que os 33 identificados e presos pela chacina de Vigário Geral. Segundo a polícia, os criminosos matinham ligações com grupos de empresários e políticos, que lhes garantiam álibis e testemunhos favoráveis. As investigações sobre a matança permitiram à DDV mapear a atuação das quadrilhas de exterminadores. Segundo o delegado Barboza, presidente do inquérito que apura a chacina, os bandos formados pelos policiais se especializaram em sequestros, extorsões-- principalmente contra traficantes e seus parentes--, assassinatos, homicídios por encomenda e contrabando de armas. Os acusados responderão por formação de quadrilha em inquérito paralelo. A DDV acredita que pelo menos 10 crimes tiveram a participação dos acusados de Vigário Geral. Entre eles, estariam a chacina da Candelária, em julho, e o desaparecimento de 11 moradores da favela de Acari, há três anos. O atropelamento da mulher de um policial, que tentou atravessar a Av. Presidente Vargas para fugir de um "arrastão" dos menores de rua, foi o motivo da chacina da Candelária, segundo as duas novas testemunhas do caso. Com base nos depoimentos delas, a polícia cumpriu ontem três mandados de busca e apreensão nas residências dos detetives Gilberto de Jesus Nunes, Franklin Miranda Monteiro e Quintino Pedro Moraes Santos. Foram apreendidos cinco revólveres calibre 38. De acordo com o depoimento das novas testemunhas, a mulher de um dos três detetives foi atropelada em fevereiro, quando fugia dos menores da Candelária que tentavam assaltá-la. O caso não foi registrado na delegacia da área, a 1a. DP (Praça Mauá). O marido da vítima passou a investigar por conta própria até identificar os menores que a haviam atacado. As duas novas testemunhas confirmaram a participação dos PMs presos, mas inocentaram o serralheiro Jurandir Gomes de França, cunhado do PM Nilton Oliveira, apontado como um dos suspeitos cujo envolvimento ainda não foi confirmado. Também ontem mais um menor, identificado como Marco Aurélio, o "Cotó", de 17 anos, foi morto no centro do Rio por um homem não identificado. Ele levou três tiros: dois na cabeça e um na perna. Em Brasília (DF), o juiz da Vara da Infância e da Juventude, José Carlos Souza, determinou que quatro dos cinco menores que espancaram até a morte o estudante Marco Antônio Velasco e Ponte permanecessem internados por tempo indeterminado no Centro de Reclusão de Brasília (Cerem). A sentença se aplica a R.N.O, de 17 anos, T.W.M.A, 17, K.A, 16, e D.C., 14. O outro acusado de homicídio, M.O.G., 14, está foragido. Ao determinar que os quatro menores permaneçam internados por tempo indeterminado, o juiz, segundo fontes do Juizado de Menores, fixou a pena máxima prevista pelo Estatuto de Criança e do Adolescente, que é de três anos de internação. Ainda em Brasília, a secretária de Desenvolvimento e Ação Comunitária do Distrito Federal, Maria do Barro, confirmou o extermínio de 39 menores, de 1985 a 1988, em sua maioria mortos em confronto com policiais. Como prova, a secretária entregou a relação dos nomes dos meninos de rua mortos, fotos, testemunhos de parentes e informações sigilosas obtidas nos prontuários médicos (FSP) (O ESP) (O Globo) (JB) (JC).