Se os governos latino-americanos não conseguirem agir agressivamente contra a pobreza, estarão sujeitos ao caos, argumenta o Banco Mundial (BIRD) no seu relatório "A América Latina e o Caribe: Uma década depois da crise da dívida", divulgado ontem, em Washingto (EUA). A região tem a distribuição de renda mais desigual do mundo, com os 20% mais pobres da população recebendo cerca de 4$ da renda, revelou o documento. "A ausência de medidas agressivas contra a pobreza tenderá a estimular conflitos distributivos, desencadeando a insatisfação e talvez até mesmo uma volta ao populismo, ao dirigismo e ao caos", argumentou o relatório. O crescimento econômico continua a melhor forma de sair da pobreza, mas deveriam ser dirigidos programas para os pobres, tanto para enfrentar as consequências de curto prazo da pobreza, como a desnutrição, quanto os problemas de mais longo prazo, como a precária escolarização. O documento afirma que são necessários três elementos fundamentais de política: uma administração macroeconômica prudente, mais refornas da estrutura da economia e suas instituições e o abrandamento da pobreza. Na economia como um todo, seria importante acompanhar os grandes aumentos de capital das carteiras de investimentos. "Há poucas dúvidas na maioria dos países de que os atuais afluxos de capital não vão se manter no longo prazo", diz o documento, acrescentando: "Se a administração macroeconômica for menos do que prudente, os afluxos de capital poderão sofrer uma súbita paralisação, desencadeando mudanças de rumo macroeconômicas potencialmente graves". As outras prioridades seriam conceber políticas que estimulem a poupança interna, especialmente a poupança privada, investir em infra-estrutura, e desenvolver instituições com os bancos centrais na Argentina, Chile, Colômbia, México e Venezuela. O documento do BIRD diz que apenas no Chile e no México as reformas econômicas dos últimos anos tinham uma baixa probabilidade de reversão e que era importante evitar entusiasmo prematuro quanto às recentes mudanças de política. "No restante da região, o processo de reforma está em estágios diferentes de implementação-- com diferentes graus de popularidade política" (GM).