O médico León Schwartzenberg, ex-ministro da Saúde da França e atualmente deputado do Parlamento Europeu, apóia a decisão da Justiça de Pernambuco, que no último dia 20 cancelou temporariamente a habilitação de casais italianos para a adoção de crianças no estado. "Eles têm toda razão em fazer isso", disse ele. O deputado entrou em conflito com o governo italiano ao dizer no Parlamento Europeu na semana passada que três mil das quatro mil crianças brasileiras adotadas na Itália teriam sido na verdade vendidas à Camorra (máfia napolitana) para que seus órgãos fossem retirados e utilizados em transplantes. A fonte de suas informações são reportagens publicadas na imprensa francesa. O ministro da Justiça da Itália, Giovanni Conso, disse que todas as 3.702 crianças brasileiras adotadas por italianos entre 1988 e 1992 "foram felizmente integradas a suas famílias adotivas". O embaixador do Brasil na Itália, Affonso Carbonar, já solicitou informações ao governo italiano sobre o destino das crianças brasileiras, mas, segundo o Itamaraty, ainda não há resposta (FSP).