CONSUMIDOR PAGA PELO ACORDO DO CAFÉ

O café deverá ficar cerca de 50% reais (acima da inflação) mais caro para os consumidores brasileiros, se o acordo de retenção das exportações causar os efeitos esperados pelos produtores, prevêem especialistas que participam do encontro dos países produtores de café, em Brasília (DF). Técnicos do governo reconhecem que o acordo provocará aumento dos preços no mercado interno. O Brasil deverá dobrar sua receita com as exportações de café no próximo ano, que poderão atingir US$1,6 bilhão, segundo estimativas do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, baseadas no aumento do preço do produto com o novo esquema de retenção, que será aplicado a partir de 1o. de outubro. O acordo de retenção de 20% das exportações, para forçar a alta dos preços no mercado internacional, será assinado hoje em Brasília por cerca de 40 países produtores de café da América Latina, Ásia e África. O controle da oferta será feito pela Associação dos Países Produtores de Café (APPC), formalizada hoje. A retenção não significa queda das exportações. O esquema prevê que os exportadores comprem e depois revendam ao governo 10% ou 20% dos volumes dos contratos de exportação, conforme o comportamento dos preços. Em todo o mundo, entre 13 milhões e 14 milhões de sacas de café serão retidas ao longo do próximo ano, o que contribuirá para a elevação dos preços, que se encontram hoje no patamar de US$70 a saca. A intenção da APPC é fazer com que os preços internacionais se estabilizem ao redor de US$90 a saca. Quando esse teto for atingido, a retenção será suspensa automaticamente (FSP) (GM).