PODER AQUISITIVO DOS SALÁRIOS FICOU ABAIXO DE 50%

A grande maioria das categorias profissionais do país já conquistou este ano reajustes salariais que, de alguma forma, superaram os limites mínimos estabelecidos pela legislação que vigorou até agosto, quando surgiu a Lei 8.700, que instituiu aumentos mensais com redutor de 10 pontos percentuais na inflação do período anterior. De acordo com estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômico (DIEESE) envolvendo 300 sindicatos, 85% de 65 categorias estão nesse caso. Em julho, mais da metade dessas categorias já havia conquistado reajustes
75880 mensais, antes portanto da nova legislação, constata o coordenador de Produção Técnica do DIEESE, Antônio Prado. No momento, segundo ele, a tendência é de as negociações avançarem no sentido de obter a reposição plena da inflação, puxada, evidentemente, pelas categorias com maior grau de pressão e organização. Apesar disso, o poder aquisitivo dos salários permaneceu abaixo de 50% (oscilando entre 42% e 47%) do verificado em 1o. de março de 1990, mês de comparação da pesquisa. Essa perda foi consequência direta do aumento das taxas de inflação e da ausência de uma política de recuperação salarial, que atinge particularmente os trabalhadores menos organizados. Pelos cálculos do DIEESE, 96% das categorias-- aí já incluídos os funcionários públicos-- tiveram o poder aquisitivo dos salários reduzido a menos de 70% do que vigorava em 1o. de março de 1990 (JB).