GOVERNO SUBMETE PLANO AO FMI

A equipe econômica já tem pronto o plano para derrubar a inflação e desindexar a economia, mas o anúncio das medidas depende apenas do melhor momento político, a ser definido pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. O presidente Itamar Franco já aprovou o plano do ministro, que tem como ponto principal um indexador cambial. A informação foi dada anteontem pelo secretário de Política Econômica, Winston Fritsch, antes de embarcar para Washington (EUA), onde vai participar da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial (BIRD). O ministro da Fazenda vai hoje aos EUA para a reunião. Estamos levando para o FMI o esqueleto da desindexação da economia, disse Fritsch. O plano prevê medidas já em outubro nas áreas cambial, monetária e fiscal para segurar a inflação e avançar no ajuste fiscal, incluindo maior velocidade nas privatizações. Prevê também a suspensão da maioria dos incentivos fiscais (por uns seis meses). Para compensar a suspensão do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), haveria aumento da receita tributária, com elevação das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e incentivo à quitação de dívidas com o Fisco. Para 1994, estão previstos novos cortes no orçamento. Diretores do FMI e do BIRD disseram ontem que os brasileiros não devem se deixar enganar pelo fato da economia do país estar crescendo este ano (a taxa prevista é de 4,1%), apesar da inflação e da falta de um programa de ajustes. Esse fenômeno, para eles, é passageiro: se o governo não implantar um ajuste macroeconômico para valer, e continuar se mostrando incapaz de conter a inflação, afirmam os economistas, o Brasil entrará a médio prazo numa estagnação da qual será muito difícil sair. O atual crescimento do país foi definido por Sebastian Edwards, economista chefe do BIRD para a América Latina, como atípico e fruto "do talento e da engenhosidade dos brasileiros"-- e, em especial, da vitalidade do setor privado. Para o diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, "o Brasil ainda tem muito o que fazer para ter o crescimento brilhante que merece. Esse país tem a economia mais importante da América Latina mas, evidentemente, está crescendo a um nível bem mais baixo do que permite o seu potencial" (JB) (FSP) (O Globo).