QUESTÃO AMBIENTAL NÃO PREOCUPA EMPRESAS

As questões ambientais ainda estão longe das preocupações do empresariado brasileiro. Pesquisa realizada pela Price Waterhouse mostra que as pressões ecológicas aparecem em 18o. lugar no ranking dos principais problemas apontados pelas empresas. A instabilidade econômica ainda é a maior dor de cabeça dos empresários. Em seguida vêm a elevada carga tributária, a concorrência, os custos e os lucros. No momento de decidir sobre um novo investimento, os empresários levam em conta em primeiro lugar o nível de inflação, seguido pela mudança na política econômica, carga fiscal, taxa de juros, ambiente político, recessão etc. As contingências ligadas ao meio ambiente estão em décimo lugar entre os riscos para investir. As perguntas sobre o meio ambiente foram incluídas pela Price Waterhouse (empresa de auditoria) em pesquisa mais ampla distribuída entre os meses de maio e agosto às 500 maiores empresas do país-- a seleção é feita pelo faturamento. Apenas 200 delas se dispuseram a responder esse item e só 50 informaram os procedimentos que estão adotando em relação ao meio ambiente. Dessas 50, ainda estão "estudando o tema" 13,9%. Outros 13,9% disseram que as questões ambientais não afetarão as atividades da empresa. Mas informaram que a educação/conscientização está sendo implementada por 33,3%. Quase a metade (44,4%) está realizando inspeções e revisões e 36,1% estão efetuando algum tipo de monitoramento. As respostas são múltiplas, por isso o total é superior a 100%. As empresas também indicaram o nível de modificação que fizeram nos sistemas de controle e proteção ao meio ambiente: 58% realizaram algum tipo de adequação e 23% não realizaram modificações; 7% apenas alteraram a responsabilidade sobre o tema dentro da empresa. Para a Price, a questão ambiental deve estar incluída nos balanços das empresas. Os custos advindos de multas por danos ambientais, reparação de danos, remediação de áreas contaminadas, implantação de tratamento de águas e redução de emissão de poluentes são altos. São chamados passivos ambientais, segundo a Price, e devem ser registrados nas contas das empresas e divulgadas nos balanços. A partir deste ano, a Price vai inserir o meio ambiente em todas as auditorias que realiza (FSP).